Não espere pelo Epitáfio

Mark Twain disse que conseguiria viver seis meses com uma palavra de elogio. Sabemos o poder restaurador, incentivador e criador das palavras de apreciação, dos gestos de amor, das demonstrações de carinho, dos toques de afeto e da simples presença em amor. É ensinado pela medicina que pacientes que recebem doses diárias de carinho em períodos de convalescença se recuperam de forma mais completa e rápida em comparação com aqueles que não.

O amor é terapêutico, sua demonstração salutar e curadora. Relacionamentos se solidificam pela demonstração de amor. Mal amada não é a pessoa desposada de alguém que lhe é ausente, mas sim a pessoa que é casada com alguém que lhe nega o afeto. Mesmo distante, o amor quebra barreiras, incentiva a espera, estimula a vida e nutre os sonhos. Até entendemos tudo isto, o difícil no entanto é a prática.

Vivemos em uma sociedade egoísta e egocêntrica. Pensamos que o mundo deve girar em nossa órbita, que somos o centro do universo e que todas as coisas devem funcionar para nos prover o bem que pensamos ser merecedores. Neste ambiente o amor toma uma outra forma, ele passa de sacrificial para recompensa, ele muda de dar para receber, ele se descaracteriza como expressões voluntárias de um coração doce e entregue para atitudes que defendem o interesse de uma agenda pessoal.

Nosso desafio maior é amar, mas não amar com a noção errada do mesmo. Amar como dádiva de Deus, amar como condição de um coração apaixonado pela vida, pelas pessoas, pelas possibilidades, pela maravilhosa aventura de ter um dia a mais para viver; este amor, este sim vale a pena; transforma, edifica, enaltece, une e conceitua de forma totalmente nova a sociedade que vivemos. Este é salutar e poderoso. Este amor é verbo, por isso é ação, se dá, se entrega.

Por isso não poupe, nem racionalize o amor. Apenas ame. Ame com intensidade e sinceridade, com integridade e justiça, com veracidade e fidelidade. Ame! Mas faça isto agora, não espere pelo amanhã, não espere pelo momento adequado, pela ocasião oportuna. Ame.

Lindas são as frases nas lápides, belas são as declarações inscritas em pedras nos cemitérios, mas são póstumas, não está mais aqui quem deveria ouvi-las, não está mais aqui quem poderia sorrir com elas, não está mais aqui quem poderia verter uma lágrima ao ouvir tal declaração. Por isso não espere pelo epitáfio. Decida amar e amar hoje! Fale, mostre, escreva, grite, elogie e torne conhecido o seu amor.

Não tenha medo, te chamarão de ridículo com certeza, mas como bem escreveu Fernando Pessoa: “Todas as cartas de amor são ridículas, não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”.